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A Missão Artemis II

Astronáutica
Autor

João Teles

Data de Publicação

2 de abril de 2026

Os astronautas da missão Artemis II, Jeremy Hansen, Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman. [Crédito: NASA/Joel Kowsky]

Um evento histórico ocorreu ontem em torno das 19h35: o lançamento do foguete SLS com a cápsula Órion, ocupada por quatro astronautas (Jeremy Hansen, Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman). É a primeira vez em mais de 50 anos que seres humanos extrapolam as órbitas baixas da Terra e se submetem à dinâmica orbital lunar. Em 6 de abril eles deverão passar por trás da Lua (seu lado oculto) e estabelecer um novo recorde de distância de seres humanos à Terra. Desta vez não pousarão na Lua – o que deve ocorrer nas etapas seguintes das missões Artemis.

Eis o fascinante cronograma orbital da Orion:

Etapa da Missão Data/Hora (BRT) Semi-eixo (a) Excentricidade (e) Dist. Mínima (Perig.) Dist. Máxima (Apog.) Status/Ação
1-5. Órbita LEO 01/04 - 19:45 ~7.920 km ~0,17 ~6.556 km ~9.271 km Inserção inicial e testes.
5-9. Órbita HEO (24h) 02/04 - 10:30 ~43.771 km ~0,83 ~7.171 km ~80.371 km Testes de proximidade (ICPS).
9 . Injeção (TLI) 02/04 - 21:00 Hipérbole \(> 1,0\) 7.171 km \(\infty\) (Escape) Queima para sair da órbita.
9-11. Cruzeiro ida 03/04 a 05/04 Trajetória de Interceptação Lunar Manobras corretivas (OTCs).
11 . Perilúnio (Flyby) 06/04 - ~14:00 Hipérbole \(> 1,0\) (Lua) ~10.400 km (da Lua) N/A Máxima aproximação lunar.
11-15. Cruzeiro volta 07/04 a 09/04 Trajetória de Retorno à Terra Atração gravitacional terrestre.
15 . Splashdown 10/04 - Tarde – – Reentrada Atmosférica Pouso no Oceano Pacífico.

Diagrama com as etapas da missão Artemis II. [Crédito: https://www.nasa.gov/image-feature/artemis-ii-map]

Basicamente temos duas órbitas elípticas (e < 1) seguidas por uma órbita hiperbólica (e > 1). A primeira com excentricidade relativamente baixa (0,17) produziu um perigeu de 6600 km e apogeu de 9300 km. Na sequência, houve propulsão dos foguetes da cápsula para alteração para uma nova órbita bem mais excêntrica (0,83). É nessa etapa que a Órion se encontra agora, saindo de um apogeu de 80400 km rumo a um perigeu de 7100 km, que deve ser alcançado hoje em torno das 21 h (ou seja, a Órion se aproxima da Terra no momento). Nesse horário, será estabelecida a manobra para a trajetória Trans-Lunar (TLI), em que uma nova propulsão colocará a Órion em órbita hiperbólica para o estilingue gravitacional com a Lua, produzindo a máxima aproximação lunar de 10400 km pelo seu lado oculto em 06/04 às 14h,aproximadamente.

Ao longo de cada uma dessas órbitas, a energia mecânica da Órion é conservada em relação ao corpo central dominante (salvo pequenas propulsões para correção de trajetória). Nas transições orbitais, energia mecânica é injetada no sistema pela transformação da energia química dos foguetes em energia cinética.

É incrível pensar que a partir das 21 h de hoje a Órion estará praticamente em queda livre no seu “encontro” com a Lua até o seu retorno com a Terra.

Animação da órbita da Órion vista de um referencial inercial. [Fonte: Wikimedia Commons]

Animação vista do referencial girante com a Lua, em que a órbita em formato de 8 se “desdobra” em um formato mais próximo da hipérbole. [Fonte: Wikimedia Commons]

Para acompanhar a telemetria da Órion em tempo real, acesse o app da NASA.

 

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